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Mãe de bebê e de cachorro


   E de repente você está grávida. Quando a gente é mãe de cachorro, a chegada de um bebê pode gerar muitas dúvidas e preocupações. Como adestradora, vivi essa situação na pele e agora tenho a noção do que muitas clientes que atendi, ao longo desses anos, passaram com a chegada de seus bebês.
   Não conheço nenhum estudo científico que comprove alterações comportamentais nos cães e a relação disso com a gravidez, mas sem dúvida muitos cães, inclusive minha cadela, apresentam/apresentaram mudanças em seus comportamentos diante de uma grávida...são tantos relatos curiosos que resolvi escrever sobre o tema...
   A chegada de um bebê vai botar a rotina e a vida de cabeça pra baixo, especialmente, da mãe do bebê. E além de se preocupar com seu filho (a), é óbvia e natural a preocupação com o cachorro da casa: será que ele vai aceitar bem a criança? Como vai ficar a rotina dele? Vou dar conta dos dois?
Respondendo...
Não sei, não sei e definitivamente NÃO (pelo menos nos 2 primeiros meses de vida da criança)!
   Falo isso, (agora) por experiência própria...
   Não dá pra saber exatamente como um cão vai se comportar diante de uma criança recém-nascida pois são muitos os fatores que devem ser avaliados antes de tirar conclusões e fazer afirmações.
   Fatores como o quão bem socializado com pessoas (especialmente crianças) o cão é, mudanças na rotina, perda de interação social com os membros da casa são importantes, pois estão diretamente relacionados com as alterações comportamentais.
  Muitas pessoas ignoram o fator socialização com crianças. E quando falo isso me refiro ao cachorro (quando filhotinho e posteriormente adolescente/adulto) ter, com elevada frequência, contato positivo com um número grande e diversificado de crianças (as de casa não contam hein?). Além disso, não podemos de maneira alguma levar em consideração rótulos do tipo: essa raça é boa com crianças, a raça x é dócil e amável com crianças etc. Isso não existe! Gostar ou não de crianças vai depender de uma INTENSA E POSITIVA socialização com elas. Se o seu cãozinho não foi bem socializado com crianças, ele pode apresentar bastante desconforto na presença delas (especialmente dentro de casa) e vale salientar a importância de NUNCA forçar uma interação entre os dois a fim de fazer o cão se "acostumar" com a criança, isso pode ser perigoso. Respeitar os sinais corporais que o cão emite na presença de crianças é um ato de respeito e de prudência para ambos!
   A mudança drástica na rotina dos tutores do cão, principalmente a mãe, que agora tem um bebê com uma demanda de 24h, inevitavelmente, faz com o que o cão perca espaço. Os passeios, as brincadeiras, os momentos de cafuné acabam deixados de lado e o cão sente bastante isso. Portanto, contar com a ajuda de pessoas é fundamental para que o cão não sinta tanto. Pedir que alguém passeie e brinque bastante com ele já é o primeiro passo! A medida que o tempo vai passando é possível retomar pequenas atividades da rotina com o cão, portanto fique calma!
   Mas, e aí? O que fazer diante dessa situação totalmente nova e imprevisível?
Aqui vão algumas dicas para tentar criar um ambiente favorável para que a relação cão x bebê se torne positiva.
 - SEMPRE crie associações positivas com bebê. Toda vez que você ficar com a criança no mesmo ambiente que o cachorro se certifique de que algo prazeroso vai acontecer pra o cachorro;
-  inclua seu cachorro dentro do que for possível na nova rotina com sua criança;
-  busque ajuda profissional, caso seu cão apresente mudanças comportamentais muito drásticas;
-  e relaxe! o tempo continua sendo o melhor remédio pra tudo. Tudo que é novo leva tempo pra gente se adaptar, mas a gente se adapta e a vida segue.

Boa NOVA jornada pra você.

Crianças e cães: dicas para uma relação saudável e segura



Cães e crianças podem ser super amigos! Porém, fique atento(a) a algumas dicas pra deixar essa relação ainda melhor e mais segura:

- procure orientação de um profissional capacitado para ajudá-lo no treinamento do seu cão;

- em hipótese alguma deixe cão e criança sem supervisão enquanto estão juntos. A criança pode beliscar, abraçar, cair em cima, pisar no rabo, gritar, montar, beijar o rosto do cão e isso pode deixá-lo agitado ou irritado;

- não é aconselhado que crianças de até pelo menos 5 anos interajam fisicamente com o cão pelos motivos citados acima. Como a criança não reconhece a linguagem corporal canina, certamente ela irá ignorar quando o cão emitir sinais de desconforto com sua presença e/ou com o que ela está fazendo com ele e isso vai propiciar o acontecimento de um acidente grave com mordidas;

- instrua a criança sobre como se relacionar com cães. No geral, cães não ficam à vontade com abraços, puxões, beliscões, gritos. Evite acidentes ensinando a criança a permanecer calma, a brincar de forma adequada (atirar bolas, por exemplo) e a não fazer coisas que deixam o cãozinho desconfortável;

- socialize seu cãozinho desde muito cedo (enquanto filhotinho) com crianças (as de casa não contam). Não o permita interagir fisicamente com elas (muito menos usando a boca), mas leve-o com petiscos e brinquedos a locais onde tem crianças para brincar e treiná-lo a permanecer relaxado na presença delas. Lembre-se, se ele nunca conviveu com crianças é normal ele não ficar à vontade perto delas. Respeite isso e NUNCA force uma interação se ele não estiver confortável com isso;

- ensine seu cãozinho a ficar calmo perto de crianças (permanecer deitado, por exemplo) através do uso de técnicas baseadas na utilização de reforço positivo. Alguns cães gostam tanto de interagir com elas que acabam ficando muito agitados, ou seja, pulam, lambem, esbarram e isso pode machucar a criança;

- desde cedo ensine seu cãozinho que criança é algo positivo, ou seja, perto de criança ele recebe carinho, petiscos, brinquedos de você. Não use broncas e punições físicas para afastar seu cão de crianças. Isso faz com que ele associe as broncas com a presença da criança, desta forma, a criança passa a ser encarada como um elemento negativo e associada a punições;

- sinais de desconforto emitidos pelo cão como: se afastar da criança, eriçar pelos com a aproximação dela, corpo tenso, boca tensa e fechada, olhar fixo para a criança/desvio de olhar, rosnar, mostrar dentes são avisos de que o cão não está gostando da situação e quer que a criança se afaste, caso contrário ele pode mordê-la! Ao reconhecer essa situação, retire a criança imediatamente de perto do cão sem dar broncas ou punições físicas nele, pois quem avisa amigo é!;

- forçar um cão a permitir que uma criança abrace, aperte, puxe ou suba nele é muito perigoso e pode colocar em risco a vida da criança como a do animal. Cães, infelizmente, "pagam com a vida" a conta da irresponsabilidade humana! Seja responsável e prudente! Aja com bom senso e não caia em falsas informações e idéias como "essa raça é boa com crianças", "meu cão sabe que tem de respeitar meu filho", "ele (o cão) tem de se acostumar com a criança", "ele sabe que não pode machucar a criança", etc.


Acidentes acontecem por descuido das PESSOAS! Tenha sempre em mente que a prevenção é a melhor solução!